Reflexão no dia 10 de Junho - "A Presidência da República pelos meus olhos"
Todos os anos, no dia 10 de Junho, gosto de fazer uma pequena reflexão sobre o estado do nosso país. Um pequeno gesto patriótico que não custa nada fazer.
Tenho uma visão muito clara de
como deve ser a postura e da forma como deve ser ocupada a “cadeira” do Chefe
de Estado de Portugal e vou decompô-la em partes, para que seja mais fácil de
analisar:
O Presidente da República tem de
ter sentido de Estado. Está ao serviço da Nação a tempo inteiro e representa-a
em todas as situações. Deve adaptar-se a cada uma dessas situações mostrando-se
flexível, mas sem nunca deixar de se lembrar que é a personificação de
Portugal, pelo que se deve resguardar. É a imagem do País que está em causa e
não a do indivíduo. Quando se expõe em demasia, arrisca-se a que certas
posições e atitudes mais ou menos ponderadas sejam vinculadas ao nome da
República Portuguesa, que deve ser irrepreensível, manchando-o assim.
As competências da Presidência da
República Portuguesa estão bem definidas na Constituição da República
Portuguesa e devem cingir-se apenas a essas. O Presidente da República deve
saber as suas competências e os seus limites. Não deve comentar, analisar
publicamente a gestão política corrente do país, interferindo e, às vezes
prejudicando o trabalho de outras instituições do sistema democrático, seja o
Governo, Assembleia da República ou outras, excedendo assim aquelas que são as
suas competências. A salvo estão as exceções previstas em que a Presidência da
República pode e deve intervir para salvaguardar o interesse público
(fiscalização da constitucionalidade, veto político, etc). Deve, isso sim,
manter-se atento aos desenvolvimentos políticos, acompanhar de perto todo o
trabalho dessas instituições, atuar sempre que necessário e quando solicitado,
mas apoiando de trás, da retaguarda.
O Presidente da República deve
estar próximo do Povo Português no sentido de conhecer a sua realidade,
problemas, aflições. No entanto, esta proximidade nunca pode pôr em causa a
frieza, racionalidade e coerência das suas decisões e posições públicas. Estas
devem ser pensadas ao pormenor, ponderadas, com a devida antecedência e sem
pressas, de forma a não ferir suscetibilidades, para nunca desgastar a imagem e
credibilidade da República Portuguesa. Não deve tomar decisões, nem falar com a
imprensa de “cabeça quente” ou em momentos inoportunos (como quando está na
praia a tomar banho ou apanhar sol). O interesse comum do país tem sempre de
estar à frente das emoções e sentimentos efémeros que se possam sentir num
determinado momento.
Eu sou um Republicano convicto (o
Chefe de Estado representa um Povo, pelo que tem de ser do Povo e ser eleito
pelo Povo), mas tenho de saber reconhecer alguns “prós” da Monarquia. Os Chefes
de Estado Monárquicos são preparados desde tenra idade para ocupar esta
posição. Então, sabem comportar-se e têm uma postura à altura do que é
esperado. Sabem conter-se em situações mais difíceis, sabem controlar-se quando
em momentos de maior tensão, e sabem que os olhos estão postos neles em todo o
momento, logo têm de saber estar e preservar a sua imagem. O sentido de serviço
também é desde cedo incutido, pelo que a posição é ocupada com a dignidade que
merece e sabendo-se de antemão que estão lá, não por si próprios, não para
alimentar os egocentrismos, mas para dedicar uma vida ao serviço e à
representação do Povo Português que, parecendo algo fácil, não o é. É de uma
responsabilidade tremenda, responsabilidade essa que parece ser posta em causa
nos últimos tempos.
O Presidente da República deve
ser uma pessoa credível, ponderada, afável, respeitadora e respeitável. Estas
características são de elementar importância para desenvolver boas relações
diplomáticas com os seus homólogos. Enquanto representante máximo de Portugal
no estrangeiro tem de conseguir ganhar o respeito e a empatia dos diplomatas
mundiais, saber ser convidado e saber receber, para que Portugal continue a ser
visto como Nação respeitada e hospitaleira. Nunca esquecendo o bem-estar da
Diáspora Portuguesa que depende, também, destas boas relações.
O Presidente da República é o
último garante da Democracia e do Estado de Direito em Portugal, sendo assim o
grande responsável pelo bom funcionamento e pela credibilidade das instituições
democráticas e de todo o funcionamento do sistema político em Portugal.
Defensor implacável da Constituição, é além disso, Supremo Comandante das
Forças Armadas e, como sabemos, a realidade das nossas forças militares já viu
melhores dias, tem estado decadente (com diversas polémicas para piorar) e não
vemos jeito de mudança. Como alto magistrado da nação deve zelar pelo bom
funcionamento da justiça.
Por último e de uma forma um
pouco metafórica, o Presidente da República deve ser um “pai” para os cidadãos,
que são os seus “filhos”. Alguém que se preocupa, que apoia e ajuda, mas deixa
viver. Que quando erra, assume as responsabilidades. Que sabe ser firme, quando
o tem de ser. Que não está preocupado com a sua imagem, mas com a felicidade
dos seus filhos.
Falei neste pequeno texto algumas posturas que devem ser adotadas, alguns deveres que devem ser prosseguidos e algumas preocupações e problemas que devem ser solucionados por parte do Presidente da República enquanto Chefe Máximo da Nação, mas o nosso mais parece estar preocupado com a sua imagem pública e mais ocupado com o comentário político e distribuição de beijinhos.
Vamos andando!


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