A Arte de Pedir

 Jesus Cristo, Nosso Senhor disse: “Pede e te será dado”; e António Costa levou isso demasiado a sério.







Nas últimas eleições legislativas umas das maiores críticas apontadas a António Costa e ao seu executivo pelos seus adversários foi o baixo salário médio em Portugal e a sua perigosa proximidade com o salário mínimo. O nosso primeiro-ministro, mesmo depois de ter ganho com maioria absoluta, decidiu levar essas críticas muito a sério e resolver o problema. Então, provavelmente enquanto fazia uma coisa banal do seu dia-a-dia, como lavar os dentes, almoçar, tomar banho ou enquanto passeava no parque, teve uma ideia genial para fazer subir o salário médio em 20% até 2026: pedir aos empresários que subissem os salários. Simples!

Ora quem não vê esta solução com bons olhos, não tem visão estratégica nenhuma. Se com isto (por milagre ou simples solidariedade) os empresários decidirem subir, agora e de repente, os salários dos seus empregados, será uma grande vitória política do Governo. Caso os empresários façam “ouvidos de mercador” e não subam os salários, a culpa e a responsabilidade não será do Governo, que fez de tudo nesse sentido.


Agora num tom mais sério, temos de perceber que se António Costa faz um pedido destes, tem de estar consciente daquilo que isso acarreta. Se ele pede para que os salários sejam aumentados, tem de ajudar a criar condições para isso e as condições são relativamente simples: baixar a carga fiscal das empresas. Para que estas tenham margem de lucro maior, para reinvestir esse dinheiro e assim crescerem e gerarem mais riqueza, num ciclo, o Governo terá de dar um primeiro passo e baixar a tributação empresarial. E para os que vão já dizer que depois essa maior margem de lucro que poderá ou não ser reinvestida, não irá para os trabalhadores, posso já dizer que é, por princípio, mentira. Qualquer empresa que queira crescer e expandir o seu lucro (todas ou pelo menos a grande maioria) terá de investir nos seus trabalhadores criando melhores condições de trabalho, apostando na sua formação e dando melhores salários para aumentar, assim, a produtividade e rentabilidade. Este é o bê-á-bá da gestão.


Enquanto o Governo não olhar para as empresas e para os empresários como parceiros, então Portugal nunca sairá da “cepa-torta”. Para que os trabalhadores tenham as condições que merecem (e têm de as ter), terá de haver um impulso económico que só irá acontecer com uma carga fiscal mais baixa para as empresas.



Sr. Primeiro Ministro, antes de pedir que se aumentem os salários, dê o exemplo e prova de boa-fé e ajude a criar condições para isso!


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